Haja coração. Quem investe em Petrobras (PETR3; PETR4) encarou uma verdadeira gangorra na Bolsa nos últimos dias. As ações dispararam e derreteram num piscar de olhos, tudo no compasso do mercado internacional do petróleo.
A principal razão está fora do Brasil
Os rumores de um possível acordo de paz no Oriente Médio mexeram com o mercado internacional e impactaram diretamente o petróleo Brent, referência usada pela Petrobras. Sempre que cresce a expectativa de redução das tensões na região, investidores passam a apostar em maior oferta de petróleo no mercado global. Com isso, o preço do barril cai. E as ações das petroleiras sentem o impacto quase imediatamente.
Foi exatamente o que aconteceu na segunda-feira (25). Naquele dia, o Brent perdeu força e derrubou as ações da Petrobras. Os papéis ordinários caíram 2,91%, enquanto os preferenciais recuaram 2,43%. A queda puxou o valor de mercado da estatal para R$ 598,7 bilhões, menor nível desde 11 de março.
O movimento interrompeu uma sequência histórica de valorização da companhia. Em abril, a Petrobras chegou ao pico de R$ 680,1 bilhões em valor de mercado.
Na terça-feira (26), o cenário mudou outra vez. O petróleo voltou a subir e ajudou a estatal a recuperar parte das perdas. As ações PETR3 avançaram 0,41% e PETR4 fechou com alta de 0,09%.
Mercado virou de uma hora para outra
Só que a calmaria durou pouco. Nesta quarta-feira (27), os papéis voltaram a cair após uma nova forte baixa do petróleo no exterior. O Brent recuava 5,31%, negociado a US$ 94,29 por barril. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, caía 5,55%, cotado a US$ 88,68.
Com isso, as ações PETR3 recuavam 1,62%, enquanto PETR4 caía 1,45%.
Outras petroleiras também sentiram o impacto
Outras empresas do setor também acompanharam o movimento negativo:
- Prio (PRIO3) caía 2,59%;
- PetroRecôncavo (RECV3) recuava 0,92%;
- Brava Energia (BRAV3) perdia 0,80%.
ESegundo Gustavo Bertotti, chefe de renda variável da Fami Capital, o mercado opera agora olhando o “curtíssimo prazo”. A possível trégua no Oriente Médio reduziu parte do interesse estrangeiro nas petroleiras e abriu espaço para investidores migrarem dinheiro para ações de tecnologia, semicondutores e datacenters.
O cenário mostra que as ações da Petrobras seguem muito ligadas ao comportamento do petróleo global. Quando o barril sobe, a estatal costuma ganhar força. Quando cai, a pressão aparece rapidamente na Bolsa.