A intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã representa uma ameaça significativa à economia global, podendo desencadear uma desaceleração drástica, o ressurgimento da inflação e a elevação das taxas de juros em diversas nações. O alerta foi emitido por Indermit Gill, economista-chefe do Banco Mundial, que vê como cada vez mais provável o cenário mais pessimista projetado pela instituição para o ano de 2026.
Perspectivas para o crescimento global e a inflação
Conforme as projeções de Gill, caso as hostilidades se estendam por um período de seis meses ou mais, o crescimento econômico mundial poderá despencar para apenas 1,3%. Este patamar representa uma queda acentuada em comparação com os 2,9% registrados no ano anterior. Simultaneamente, a inflação global é estimada em 4,5%, impulsionada principalmente pela escalada dos preços da energia e por interrupções nas cadeias de abastecimento internacionais.
Impactos nas rotas comerciais e infraestrutura energética
Um conflito prolongado, segundo a análise do Banco Mundial, tende a comprometer seriamente a infraestrutura petrolífera no Oriente Médio. Além disso, a situação imporia restrições contínuas em rotas marítimas cruciais para o comércio internacional, como o estratégico Estreito de Ormuz. Tais bloqueios não apenas elevariam os custos da energia, mas também afetariam o transporte de insumos vitais como fertilizantes, hélio e enxofre, essenciais para a produção agrícola e industrial em escala global.
Desafios para economias em desenvolvimento
A combinação de inflação persistente e taxas de juros elevadas agravaria as dificuldades de países com altos níveis de endividamento. As economias em desenvolvimento, em particular, que ainda buscam uma recuperação plena após a pandemia, seriam as mais afetadas. Este cenário pode resultar na redução de investimentos públicos, na pressão sobre os orçamentos de saúde e educação, e no aumento do risco de crises fiscais em nações mais vulneráveis, conforme apontado por Gill.
Inteligência artificial como vetor de recuperação
Apesar do panorama de incerteza, o economista-chefe do Banco Mundial destacou um potencial contraponto: a inteligência artificial (IA). A IA é vista como um possível motor de crescimento para economias emergentes no médio e longo prazo. A instituição avalia que países em desenvolvimento podem experimentar um impacto negativo menor no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, colher ganhos significativos de produtividade com a adoção dessa tecnologia.
Essas declarações reiteram as preocupações já expressas pelo Banco Mundial em seu relatório