Um novo tipo de radar em fase de testes no Brasil promete mudar a fiscalização de velocidade nas estradas. A tecnologia consegue acompanhar o deslocamento do veículo por um trecho inteiro e identificar se o motorista manteve uma velocidade acima do permitido durante o percurso.
Diferente dos equipamentos tradicionais, o sistema não analisa apenas o momento em que o carro passa por um ponto da rodovia. A ferramenta calcula a média de velocidade entre dois locais monitorados.
A novidade chama atenção porque pode dificultar uma atitude comum entre alguns condutores: frear perto do radar fixo e voltar a acelerar logo depois.
Apesar dos testes em andamento, o equipamento ainda não aplica multas. Atualmente, a tecnologia funciona para coleta de informações, estudos e ações educativas.
Como funciona o novo radar de velocidade média
O sistema usa câmeras instaladas em pontos diferentes da mesma estrada. Quando um veículo passa pelo primeiro equipamento, a tecnologia identifica a placa e registra o horário.
Depois, uma segunda câmera faz uma nova leitura em outro ponto do trajeto. Com essas informações, o programa compara o tempo gasto pelo motorista e a distância percorrida.
A partir desse cálculo, o sistema descobre a velocidade média do veículo naquele trecho da rodovia.
Com isso, não basta respeitar o limite apenas perto do equipamento. O motorista precisa manter uma condução dentro das regras durante todo o caminho monitorado.
Tecnologia já passa por testes no Brasil
Os primeiros testes chamaram atenção na BR-101, uma das rodovias mais movimentadas do país. A estrada também aparece entre as vias com maior número de ocorrências, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Um dos registros aconteceu em Sooretama, no Espírito Santo. O trecho possui limite de 60 km/h por causa da proximidade com uma área ambiental.
Durante o monitoramento, o sistema identificou um veículo com velocidade média de 124 km/h no percurso analisado.
Além do Espírito Santo, empresas do setor também desenvolvem projetos em outros estados. Há testes envolvendo rodovias em São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
Por que o novo radar ainda não multa motoristas
Mesmo com a tecnologia funcionando, os motoristas ainda não recebem autuações baseadas nesse modelo de fiscalização.
A legislação brasileira atual considera a medição feita em um ponto específico da via. Esse é o formato usado pelos radares fixos conhecidos pelos condutores.
Como o novo equipamento trabalha com a média entre dois pontos, ainda falta uma autorização específica para transformar os registros em multas.
O Congresso Nacional discute o Projeto de Lei 2.789/2023, que trata da possibilidade de usar esse modelo na fiscalização de trânsito.
Caso a mudança avance, a velocidade média poderá entrar oficialmente entre os critérios usados para autuar motoristas.
Mudança pode alterar comportamento nas estradas
Especialistas em trânsito avaliam que o monitoramento por trecho pode incentivar uma velocidade mais constante durante as viagens.
Hoje, alguns motoristas reduzem rapidamente antes dos radares convencionais. Logo após passar pelo equipamento, muitos voltam a acelerar.
Esse comportamento pode provocar freadas inesperadas e aumentar situações de risco no trânsito.
Dados da PRF mostram que colisões traseiras estiveram entre os principais tipos de ocorrências registradas nas rodovias federais em 2025, com 14.360 casos.
A expectativa é que uma fiscalização mais ampla ajude a reduzir manobras perigosas e excesso de velocidade.
Caminhoneiros e empresas acompanham possível mudança
O avanço da tecnologia também pode afetar o transporte de cargas no país. Caminhoneiros e transportadoras acompanham as discussões sobre uma futura regulamentação.
Com a fiscalização por média de velocidade, empresas podem precisar reforçar o acompanhamento dos veículos durante todo o trajeto.
Para motoristas profissionais, o acúmulo de infrações pode gerar problemas na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e impactar a rotina de trabalho.
Por enquanto, os novos radares continuam em fase de testes e monitoramento. A ampliação do sistema dependerá das próximas decisões sobre as regras de trânsito no Brasil.
