As ações da Porto (PSSA3) enfrentaram forte pressão vendedora nos últimos pregões, contrariando a expectativa de investidores que utilizam o papel como proteção patrimonial. Nos últimos cinco dias, o ativo acumulou uma desvalorização de 8,58%, sendo negociado a R$ 50,07 na última sexta-feira, em reação direta aos números apresentados no segundo trimestre.
Conforme dados do Portal FIIs, a companhia reportou um lucro líquido de R$ 879,4 milhões no período, resultado que ficou 4% abaixo das estimativas do banco Safra. O desempenho operacional foi ainda mais pressionado, com um recuo de 14% na comparação trimestral, situando-se 5% aquém das projeções de mercado.
Desempenho nas operações de seguros e saúde
Apesar da queda nas ações, as divisões de seguros e saúde apresentaram indicadores operacionais sólidos. Na vertical de seguros, os prêmios de automóveis registraram aceleração de 8% ao ano, enquanto o índice de sinistralidade atingiu 56,7%, marca considerada positiva pelo Citi.
A unidade de saúde também manteve ritmo de crescimento, com a adição de 46 mil beneficiários e um avanço de 15% nos prêmios anuais. A receita total da companhia entre abril e junho somou R$ 10,9 bilhões, um incremento de 10,4% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, impulsionado pela expansão de negócios não ligados ao setor de seguros.
Impacto do Porto Bank nos resultados
O principal ponto de preocupação para o mercado foi o desempenho do Porto Bank, que registrou uma queda de 32,5% no lucro líquido, totalizando R$ 137,8 milhões. A redução foi motivada pelo aumento das perdas com crédito, que somaram R$ 868 milhões, uma alta de 67% na comparação anual.
O cenário de maior inadimplência forçou a empresa a elevar suas provisões para devedores duvidosos. O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu 40 pontos-base, alcançando 9,4%. Como reflexo, a companhia revisou seu guidance de perdas com crédito, elevando o ponto médio de R$ 2,9 bilhões para R$ 3,3 bilhões.
Projeções e análise de mercado
Para mitigar o impacto das perdas bancárias, a empresa ajustou outras metas, prevendo uma sinistralidade de seguros ligeiramente menor e ganhos de eficiência que devem gerar R$ 200 milhões adicionais em receitas bancárias. Analistas do Citi destacaram que a deterioração na qualidade do crédito absorveu grande parte da margem do segmento bancário.
O Citi mantém recomendação neutra para PSSA3, com preço-alvo de R$ 53,00, enquanto o Safra também adota postura de neutralidade, com preço-alvo fixado em R$ 61,00. O mercado segue monitorando a qualidade dos ativos diante de um ambiente de crédito considerado desafiador para o setor financeiro.
Aviso: Este texto possui caráter estritamente jornalístico e não constitui recomendação de compra ou venda de ativos. Investimentos em renda variável envolvem riscos e não garantem rentabilidade futura.
As informações são do Portal FIIs.
