O fim da escala 6×1 movimenta trabalhadores, empresas e sindicatos em todo o país. A nova lei mexe diretamente na rotina de milhões de brasileiros. O trabalhador deixará de atuar seis dias seguidos. A nova regra cria um novo modelo com redução da carga horária sem corte no salário.
Como passará a funcionar com a nova lei – Fim da escala 6×1
Atualmente, a Constituição permite jornadas de até 44 horas semanais. Em muitos setores, isso acontece dentro da escala 6×1. Nesse formato, o funcionário trabalha seis dias consecutivos e folga apenas um. Supermercados, farmácias, lojas, indústrias, restaurantes e shoppings usam bastante esse modelo. Mas esse modelo está chegando ao fim.
Quantos dias de folga o trabalhador terá com a nova Lei?
A nova lei garante dois dias de repouso semanal remunerado. Um deles deverá ocorrer, preferencialmente, aos domingos.
As folgas não precisam acontecer em dias seguidos. As empresas poderão organizar as escalas conforme acordos coletivos, desde que respeitem a nova carga horária máxima.
Na prática, a mudança aproxima grande parte dos trabalhadores da chamada escala 5×2, muito comum em escritórios e setores administrativos.
Quando começa a valer
Veja como funcionará após a aprovação:
- 60 dias após a aprovação da PEC, a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais;
- Após 12 meses, o limite passará oficialmente para 40 horas semanais.
O texto também mantém a possibilidade de acordos coletivos para compensação de horários. Mesmo com a redução semanal, a jornada diária continuará limitada a oito horas, salvo exceções previstas em negociação coletiva.
O salário vai diminuir?
Não. A proposta mantém salários e pisos salariais atuais. O trabalhador terá redução na carga horária sem perder remuneração.
Esse virou um dos principais pontos defendidos por deputados favoráveis à proposta. Para sindicatos e trabalhadores, a mudança pode aliviar o desgaste da rotina e garantir mais tempo de descanso e convivência com a família.
Do outro lado, empresários e deputados de oposição demonstram preocupação com os custos.
Por que empresários criticam a proposta?
Parte do setor produtivo acredita que empresas precisarão contratar mais funcionários para cobrir as escalas.
Com isso, setores como comércio, indústria e serviços poderiam enfrentar aumento de gastos operacionais.
Durante a sessão desta quarta-feira, deputados contrários ao texto afirmaram que os custos podem acabar chegando ao consumidor, principalmente em produtos e serviços básicos.
A discussão virou um dos temas mais polarizados dentro da Câmara.
Quem não será afetado pela mudança da Lei?
A PEC traz exceções. Trabalhadores com diploma de nível superior e salário igual ou superior a R$ 21.188 mensais ficarão fora das regras de controle de jornada.
O valor corresponde atualmente a 2,5 vezes o teto do INSS. Mesmo assim, empresas poderão manter controle de horário caso desejem ou se houver previsão em acordo coletivo.
- A regra também não vale para servidores públicos.
- Quem já trabalha menos de 40 horas continuará igual
- A proposta não reduz jornadas que já sejam menores que 40 horas semanais.
Ou seja, quem atualmente possui carga horária inferior continuará com o mesmo contrato e as mesmas regras atuais.
Quando o fim da escala 6×1 pode começar?
A PEC começou a ser votada nesta quarta-feira (27/05), mas ainda precisa seguir para votação no Senado. Se o Congresso aprovar o texto e houver promulgação, as novas regras começarão a valer 60 dias após a publicação oficial.
Isso significa que os trabalhadores já poderiam ganhar a segunda folga semanal logo no início da implementação da nova jornada.