Adeus escala 6×1? Câmara aprova PEC que reduz carga horária no Brasil

Agência N1
Por
Agência N1
Núcleo centralizado de inteligência, apuração e checagem de fatos (fact-checking) do N1 Mais. Composto por uma equipe focada no monitoramento em tempo real de Diários Oficiais,...
4 minuto de leitura
4 minuto de leitura
Créditos: (N1N)
Ouvir notícia
Pronto para ouvir

A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (27), a proposta que prevê o fim da escala 6×1 no Brasil. O texto passou por duas votações no plenário e agora segue para análise do Senado Federal.

Na primeira votação, a proposta recebeu 472 votos favoráveis. Depois, no segundo turno, 461 deputados votaram pela aprovação da medida.

A movimentação ocorreu no mesmo dia em que a comissão especial da Câmara aprovou o parecer do projeto. Mais cedo, o colegiado deu aval ao texto por 34 votos a 4. A proposta reduz a jornada máxima de trabalho das atuais 44 para 40 horas semanais.

O parecer ficou sob responsabilidade do deputado Leo Prates, que reuniu trechos da PEC 221/19 e da PEC 8/25 em um único texto.

Proposta reduz jornada e amplia dias de descanso

O texto aprovado muda pontos importantes da jornada de trabalho no país. Entre eles, aparece a redução da carga semanal para 40 horas, além do fim da escala 6×1 como modelo padrão.

Hoje, a legislação garante apenas um dia obrigatório de folga por semana. Com a mudança, o trabalhador passaria a ter direito a dois dias de descanso semanal. Um deles, preferencialmente, aos domingos.

A proposta também mantém o limite de oito horas diárias de trabalho. Mesmo assim, acordos e convenções coletivas poderão permitir compensações de horário.

Esse ponto ganhou força durante os debates na Câmara. Muitos parlamentares defenderam que jornadas menores podem melhorar a qualidade de vida e reduzir o desgaste físico e mental dos trabalhadores.

Mudança da jornada prevê transição gradual

O texto aprovado prevê uma adaptação em etapas. A ideia é evitar impactos bruscos na economia e dar tempo para empresas reorganizarem escalas e operações.

Caso o Senado aprove a proposta e ela vire regra, a jornada semanal cairá primeiro para 42 horas. Depois, em uma segunda fase, chegará ao limite de 40 horas semanais.

O parecer ainda permite ampliar a jornada diária por meio de negociação coletiva. Assim, empresas e trabalhadores poderão redistribuir as horas dentro da semana.

Texto proíbe redução salarial

A proposta aprovada pela Câmara deixa claro que a redução da jornada não poderá diminuir salários.

O parecer proíbe cortes nominais ou proporcionais nos vencimentos e também impede redução dos pisos salariais já existentes.

Durante a discussão, o relator destacou três pontos considerados centrais no projeto:

  • limite de 40 horas semanais;
  • garantia de dois dias de folga;
  • proibição de redução salarial.

O texto ainda abre espaço para regras específicas em categorias que possuem jornadas diferenciadas.

Regra especial para trabalhadores de alta renda

Outro trecho do parecer trata de profissionais com ensino superior e salários elevados.

Segundo o texto, trabalhadores com diploma de nível superior e remuneração equivalente a pelo menos 2,5 vezes o teto do INSS, hoje em torno de R$ 21 mil mensais, poderão ficar fora das regras de controle de jornada.

Nesses casos, a duração do trabalho poderá seguir acordos individuais, convenções coletivas ou decisões do empregador.

A exceção não valerá para servidores públicos nem para empregados da administração direta e indireta.

Pequenas empresas poderão ter adaptação diferenciada

O parecer também prevê medidas futuras para reduzir impactos sobre microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte.

Entre as alternativas discutidas aparecem regras especiais de transição e mecanismos voltados à preservação de empregos durante a mudança da jornada de trabalho.

Agora, o texto entra em uma nova etapa no Congresso. O Senado ainda precisará analisar e votar a proposta antes de qualquer mudança começar a valer oficialmente no país.

Compartilhar este artigo
Núcleo centralizado de inteligência, apuração e checagem de fatos (fact-checking) do N1 Mais. Composto por uma equipe focada no monitoramento em tempo real de Diários Oficiais, portais governamentais e agências de notícias, atua como uma dupla camada de verificação para garantir informações 100% verídicas, limpas de boatos e seguras para o leitor.
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *