Para o varejo, o desafio será adaptar tecnologia, marketing, atendimento e logística a uma jornada em que o comprador poderá ser representado por um sistema capaz de tomar decisões FOTO: Magnific
A próxima transformação do comércio eletrônico deverá reduzir ainda mais a participação direta do consumidor na jornada de compra. Em vez de apenas pesquisar preços ou sugerir produtos, agentes de inteligência artificial poderão comparar opções, negociar condições e concluir transações de forma autônoma, alterando a relação entre clientes, marcas e plataformas digitais.
Dados da Bain & Company mostram que o tráfego direcionado por ferramentas de inteligência artificial generativa a sites de comércio eletrônico cresceu quase 5.000% no último ano. A consultoria aponta ainda que 55% dos consumidores já recorrem às principais plataformas de IA para pesquisar produtos e estima que os agentes autônomos poderão participar de uma em cada quatro transações on-line no mundo até 2030.
A mudança representa uma nova etapa para um setor que, desde o início dos anos 2000, estruturou suas estratégias para atrair usuários a sites, aplicativos e marketplaces. Com a chamada inteligência artificial agêntica, parte desse percurso poderá ocorrer fora dos canais tradicionais das empresas. O agente receberá uma orientação do consumidor e executará etapas como busca, comparação e compra.
Na prática, o varejo poderá deixar de disputar apenas a atenção das pessoas e passar a competir também pela preferência dos sistemas de IA. Isso exigirá catálogos mais organizados, informações precisas sobre preços e estoque, integração tecnológica e maior capacidade de comunicação com plataformas automatizadas.
Segundo relatório do BTG Pactual citado pela Bloomberg Línea, a chamada agentic AI representa o primeiro desafio relevante ao modelo que sustentou o comércio eletrônico nas últimas duas décadas. Para Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail, a tecnologia leva a transformação digital a outro patamar ao exigir não apenas novas ferramentas, mas a revisão de processos já estabelecidos.
Impacto vai além das compras
O avanço dos agentes autônomos também deverá modificar a estrutura de investimentos das empresas. Estimativa da Gartner indica que até US$ 234 bilhões poderão migrar de softwares corporativos no modelo de assinatura, conhecido como SaaS, para soluções baseadas em agentes de IA. O valor corresponde a cerca de 20% do mercado global desse segmento.
A possível transferência de recursos ocorre porque agentes inteligentes podem assumir tarefas atualmente realizadas por profissionais que utilizam diferentes programas corporativos. Com menos usuários operando diretamente esses sistemas, empresas poderão reduzir o número de licenças contratadas, pressionando o modelo de receita das desenvolvedoras de software.
Para o varejo, o desafio será adaptar tecnologia, marketing, atendimento e logística a uma jornada em que o comprador poderá ser representado por um sistema capaz de tomar decisões. A vantagem competitiva deixará de depender somente da visibilidade de uma marca e passará a incluir sua capacidade de ser encontrada, interpretada e escolhida por agentes digitais.
Mais do que ampliar vendas, a inteligência artificial agêntica promete reorganizar a arquitetura do comércio eletrônico. As empresas que se anteciparem poderão ocupar posições relevantes nessa nova cadeia, enquanto aquelas que mantiverem estratégias construídas apenas para consumidores humanos correm o risco de perder espaço na próxima fase do varejo global.
O post Agentes de IA inauguram nova fase do e-commerce e mudam a lógica das vendas on-line apareceu primeiro em Portal IN – Pompeu Vasconcelos – Balada IN.