A inteligência artificial (IA) tem dominado o cenário de investimentos nos últimos anos, com as dez maiores ações do S&P 500 diretamente ligadas a essa tecnologia. Contudo, a próxima evolução da IA, conhecida como IA agêntica, pode direcionar o foco dos investidores para um novo segmento: as criptomoedas. Essa é a perspectiva da Franklin Templeton, uma gestora global que administra cerca de US$ 1,79 trilhão em ativos.
A tese central da gestora é que a tecnologia blockchain, que sustenta as criptomoedas, pode se tornar a infraestrutura fundamental para o desenvolvimento e funcionamento dessa nova geração de inteligência artificial. Caso essa integração se concretize, os tokens nativos das redes blockchain teriam um impulso significativo em valorização.
O que é a inteligência artificial agêntica
Diferente da IA generativa, que cria textos, imagens e códigos (como o ChatGPT), a IA agêntica representa um avanço ao executar tarefas complexas com mínima ou nenhuma intervenção humana. Isso inclui atividades como comparar preços, contratar serviços, adquirir poder computacional e gerenciar fluxos de trabalho, caracterizando uma interação predominante entre máquinas.
Relatórios citados pela Franklin Templeton indicam que, até 2028, 38% das organizações preveem a colaboração de agentes de IA com humanos para aumentar a produtividade e a inovação. Além disso, o comércio agêntico, que envolve transações automatizadas entre máquinas, pode movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões até 2030.
Blockchain como base para a nova economia digital
Essa futura economia, impulsionada por interações entre máquinas, demandará um sistema eficiente para processar milhões, ou até bilhões, de micropagamentos diários. Agentes de IA precisarão comprar dados, contratar serviços, acessar APIs e pagar por capacidade computacional.
Segundo Sandy Kaul, head de ativos digitais e inovação da Franklin Templeton, as blockchains são mais adequadas para essa finalidade do que os sistemas financeiros tradicionais. Elas oferecem velocidade, baixo custo e funcionalidades essenciais, como contratos inteligentes (programas autoexecutáveis popularizados pelo Ethereum), identidade digital verificável para cada agente e um registro permanente e imutável de todas as operações.
Kaul destacou que, “dados esses atributos, o blockchain será crucial para permitir que a IA agêntica alcance seu potencial para transações de consumo, e o crescimento da IA agêntica provavelmente se tornará o caso de uso definitivo (killer application) que impulsionará a adoção do blockchain”.
Tokens nativos e o potencial de valorização
As blockchains operam com seus próprios tokens, e a maioria das transações e operações dentro dessas redes exige o pagamento de taxas com essas moedas. Por exemplo, desenvolvedores na rede Solana utilizam SOL, na Cardano, ADA, e no Ethereum, ETH.
A tese da Franklin Templeton sugere que, para aproveitar o potencial da IA agêntica, investidores que atualmente focam em empresas de IA deveriam considerar a exposição a criptomoedas de projetos construídos sobre blockchains. Sandy Kaul reforçou: “Acredito que o que se tornará cada vez mais claro nos próximos anos é que, para capturar o valor de redes e negócios descentralizados, os investidores precisarão comprar as criptomoedas e altcoins emitidas por essas entidades”.
Riscos e incertezas no mercado de ativos digitais
Apesar do potencial promissor, o investimento em criptomoedas continua sendo uma modalidade de alto risco. O mercado é caracterizado por volatilidade, como a queda de 50% do bitcoin desde outubro do ano passado. Além disso, o setor enfrenta incertezas regulatórias e desafios de segurança.
A inteligência artificial, por sua vez, também não está isenta de riscos. Embora muitos analistas vejam um grande potencial de transformação em diversos setores, persistem dúvidas sobre o ritmo de adoção da tecnologia, a capacidade das empresas de converter investimentos em lucros e os possíveis impactos de futuras regulamentações.
Novidades no universo cripto
Em outras notícias do setor, o município de São José dos Pinhais, no Paraná, inovou ao sancionar uma lei que permite aos contribuintes quitar débitos tributários e não tributários com criptoativos. A cidade também lançou o programa Bitcoin Cidadão, com iniciativas de educação sobre a economia digital.
No cenário global, a BitMEX, uma exchange pioneira que popularizou os contratos futuros perpétuos, anunciou o encerramento de suas operações em 23 de setembro, após perder mercado para concorrentes. Clientes foram orientados a sacar seus recursos antes do prazo.
Nos Estados Unidos, uma nova versão do Clarity Act, projeto de lei para regulamentar o mercado de criptomoedas, foi bem recebida pela indústria. Contudo, democratas ameaçam barrar a medida devido a preocupações éticas ligadas aos negócios de Donald Trump com cripto, e bancos pressionam por alterações nas regras para stablecoins.
O conteúdo desta matéria é jornalístico e não representa recomendação de compra, venda, manutenção ou escolha de ativos. O leitor deve considerar seu perfil, objetivos e riscos, e a orientação de um profissional habilitado pode ser necessária. Rentabilidade passada não garante resultados futuros.