Fechamento de agências bancárias gera preocupação para aposentados em todo o país

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Reprodução Douradosnews

A crescente onda de fechamento de agências bancárias em diversas cidades brasileiras tem se tornado um ponto de atenção, especialmente para aposentados e pensionistas. Muitos desses cidadãos ainda dependem crucialmente do atendimento presencial para gerenciar suas finanças e resolver questões essenciais. Nos últimos anos, a transição dos bancos para o ambiente digital acelerou, resultando na diminuição significativa de unidades físicas em várias regiões.

Em Minas Gerais, por exemplo, onde o Itaú administra a folha de pagamento dos servidores estaduais, a situação ganhou destaque. O encerramento de agências em municípios do interior tem forçado muitos aposentados a percorrer longas distâncias. Eles precisam viajar para cidades vizinhas apenas para realizar operações básicas, como saques, atualizações cadastrais ou a obrigatória prova de vida.

Avanço digital redefine o cenário bancário

A diminuição da rede física de agências reflete uma transformação profunda no sistema financeiro nacional. Dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indicam que a vasta maioria das transações bancárias, cerca de 83%, já ocorre por meio de canais digitais. Desse total, impressionantes 78% são realizadas diretamente pelo celular, conforme levantamento que considerou mais de 240 bilhões de operações registradas em 2025.

A introdução do Pix pelo Banco Central em 2020 também impulsionou essa mudança nos hábitos dos consumidores. Com a facilidade de transferências instantâneas e gratuitas, a ferramenta se consolidou rapidamente como um dos principais meios de pagamento no Brasil. Consequentemente, a procura por serviços presenciais nas agências diminuiu consideravelmente.

O Itaú, ao justificar o fechamento de suas unidades, explica que a medida faz parte de uma reorganização estratégica de sua rede de atendimento. O banco afirma que essa reestruturação acompanha a tendência global de digitalização do setor bancário. A instituição garante que os clientes afetados continuam tendo acesso a todos os serviços por meio de aplicativos, centrais telefônicas e agências localizadas em cidades próximas.

Desafios para a população idosa no ambiente digital

Apesar da ampla expansão dos serviços digitais, uma parcela considerável da população idosa ainda enfrenta barreiras significativas. Muitos têm dificuldades para utilizar aplicativos bancários e outras ferramentas online. Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, embora o acesso à internet entre pessoas com mais de 60 anos tenha crescido, aproximadamente um quarto desse público permanece desconectado.

Entre os idosos que não utilizam a internet, 66,5% declaram não saber como usar a tecnologia. Essa realidade é particularmente preocupante para aposentados e pensionistas que dependem do contato direto com o banco para resolver questões relacionadas aos seus benefícios. Em municípios menores, o fechamento de uma agência pode significar a necessidade de deslocamento para outra cidade, apenas para cumprir procedimentos específicos.

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No contexto dos servidores aposentados de Minas Gerais, sindicatos têm alertado que muitos beneficiários são obrigados a comparecer pessoalmente às unidades bancárias. Isso ocorre para realizar a prova de vida ou solucionar problemas que não podem ser integralmente resolvidos pelos canais digitais, evidenciando a lacuna no atendimento.

Impacto do movimento em cidades e grandes centros

O processo de redução da quantidade de agências bancárias não se restringe apenas a pequenos municípios. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indicam que os cinco maiores bancos do país encerraram as atividades de mais de 1,3 mil unidades entre os anos de 2024 e 2025. Esse movimento afeta tanto o interior quanto as grandes metrópoles.

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o Itaú foi o banco com o maior número de encerramentos nesse período. Sindicatos de bancários têm expressado preocupação com o impacto da medida, tanto para os trabalhadores do setor quanto para os clientes que ainda preferem ou necessitam do atendimento presencial.

Em alguns casos, o fechamento de agências gerou contestações judiciais. Na cidade de Resplendor, localizada no Vale do Rio Doce, a Justiça chegou a determinar a manutenção temporária do atendimento presencial. A decisão foi resultado de uma ação movida pelo Ministério Público de Minas Gerais, buscando proteger os direitos dos consumidores locais.

Bancos investem em canais remotos e serviços especializados

As instituições financeiras argumentam que a digitalização permitiu um aumento na eficiência dos atendimentos e a oferta de novos canais de suporte. Um relatório da Febraban reforça que a participação dos canais digitais na relação entre bancos e clientes continua em ascensão. Esse crescimento é impulsionado pelo uso de aplicativos, chats online e centrais telefônicas, que oferecem conveniência e agilidade.

Apesar dos avanços tecnológicos, representantes de aposentados e sindicatos defendem a importância de manter parte da estrutura física. Eles ressaltam que isso é fundamental, especialmente em cidades onde a população idosa constitui uma parcela significativa dos clientes, garantindo que ninguém seja excluído do acesso a serviços essenciais.

Para aqueles que ainda dependem do atendimento presencial, a recomendação de especialistas é acompanhar de perto os comunicados dos bancos. É fundamental verificar com antecedência a localização das agências responsáveis pela sua região. Essa proatividade pode evitar transtornos e garantir o acesso a serviços que são considerados indispensáveis para a gestão da vida financeira.

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