CRIs em estresse já equivalem a todo o patrimônio do fundo imobiliário CACR11

Jerffeson Leone
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Jerffeson Brandão é fundador do N1 Mais e proprietário da N1 Mídia e Comunicação. Jornalista e radialista, possui experiência em comunicação, produção de conteúdo e jornalismo...
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Foto: (Divulgação/N1 Mais)
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O fundo imobiliário CACR11 atravessa um dos momentos mais delicados desde a criação. Documentos públicos analisados pelo Valor Investe mostram uma sequência de atrasos, renegociações e problemas operacionais em projetos ligados à carteira de crédito imobiliário do fundo.

O cenário preocupa porque o saldo devedor das principais operações já chegou a R$ 468 milhões. O valor supera o patrimônio líquido atual do CACR11, estimado em R$ 464,4 milhões.

Na prática do mercado, isso aumenta a pressão sobre o desempenho futuro do fundo. Afinal, boa parte dessas operações depende diretamente da continuidade das obras, das vendas de unidades e da geração de caixa dos empreendimentos.

E os sinais de estresse aparecem em diferentes frentes.

CRI Helvetia entra em inadimplência

O caso mais recente envolve o CRI Helvetia. O ativo entrou oficialmente em inadimplência, segundo fato relevante divulgado nesta segunda-feira.

Uma assembleia realizada em 14 de maio discutiu até o vencimento antecipado da dívida. O motivo foi o atraso superior a 120 dias, além de outros problemas encontrados na operação.

Os relatórios apontam:

  • falhas na curva de vendas;
  • ausência de comprovação do uso dos recursos;
  • falta de demonstrações financeiras auditadas entre 2022 e 2024;
  • problemas relacionados a seguros e garantias.

O saldo devedor do Helvetia soma R$ 58,9 milhões. Isso representa 12,7% do patrimônio líquido do CACR11.

Com a falta de pagamento, o mercado passou a enxergar mais risco na estrutura do CRI. O caso também acendeu alerta entre investidores de crédito estruturado.

Alto Lindóia muda cronograma e adia pagamentos

O empreendimento Alto Lindóia Resort também precisou passar por reorganização financeira.

Atas divulgadas em maio mostram que os investidores aprovaram mudanças no cronograma das obras e nas condições de pagamento da operação.

O projeto agora trabalha dividido em Fase 1 e Fase 2. Apesar disso, a estrutura física e as garantias permaneceram sem alteração.

Depois disso, os investidores aceitaram novas regras financeiras. Os juros passaram a integrar a dívida e as amortizações foram adiadas.

Além disso, a operação autorizou o uso excepcional de R$ 433,9 mil para despesas da obra.

Hoje, o saldo devedor do Alto Lindóia chega a R$ 68 milhões, equivalente a 14,7% do patrimônio do fundo.

Santo André acumula histórico de problemas

O caso Santo André carrega uma longa trajetória de dificuldades.

A operação começou ainda em 2017, com uma CCB de R$ 6 milhões. Na época, relatórios já descreviam o imóvel dado em garantia como abandonado após o fracasso do empreendimento.

Anos depois, surgiram novas tentativas de renegociação.

Em 2023, propostas ligadas à Cartesia discutiam valores de quitação entre R$ 3 milhões e R$ 6 milhões. Laudos antigos chegaram a indicar liquidação forçada próxima de R$ 3,7 milhões.

Só que os números mudaram bastante em 2025.

Relatórios recentes passaram a apontar avaliação do terreno em cerca de R$ 155 milhões. A diferença em relação aos valores anteriores levantou questionamentos no mercado.

O CRI Santo André concentra hoje um saldo devedor de R$ 127,9 milhões. O montante representa 27,5% do patrimônio do CACR11.

Itaparica aposta em valorização futura

O ativo Itaparica também entrou em reestruturação.

A operação nasceu em 2016, com uma CCB de R$ 30 milhões. Depois, em 2022, investidores discutiram uma nova estrutura financeira envolvendo a Cartesia.

A renegociação previa:

  • emissão de novas dívidas;
  • securitização de recebíveis;
  • troca de garantias;
  • substituição de hipotecas por alienação fiduciária.

Os documentos ainda citam restrições judiciais e passivos trabalhistas ligados aos imóveis.

Mesmo assim, os relatórios mais recentes apostam na valorização futura da área como saída para recuperação financeira.

As projeções mencionam um VGV de R$ 461 milhões e avaliação do terreno em R$ 87 milhões.

Atualmente, o CRI Itaparica acumula saldo devedor de R$ 112,1 milhões, cerca de 24,1% do patrimônio do CACR11.

Projeto em Salvador enfrenta atraso nas vendas

O empreendimento Savoie, em Salvador, também entrou na lista de ativos pressionados.

Segundo a gestora, o projeto sofreu atraso nas aprovações regulatórias. Isso afetou diretamente o lançamento comercial e reduziu o potencial de geração de caixa no verão, período considerado estratégico para vendas.

O planejamento previa comercializar entre 30% e 40% das unidades até o início de 2026. Só que, até abril, apenas 7% das unidades haviam sido vendidas.

Enquanto as vendas avançavam lentamente, a dívida cresceu.

O saldo do CRI Savoie saiu de R$ 28,8 milhões em 2024 para R$ 60,7 milhões em 2026. Agora, o ativo já representa 13,1% do patrimônio do fundo.

A Cartesia ainda cita o empreendimento como parte da estratégia de geração de caixa para financiar obras e sustentar rendimentos mensais.

Real Park amplia exposição sem geração de receita

O Real Park, em São Paulo, mostra outro ponto de atenção.

O lançamento comercial do projeto ficou para o segundo trimestre de 2026. Antes, a previsão indicava entrega ainda em 2025.

Mesmo sem receitas efetivas das vendas, a exposição do fundo aumentou fortemente.

O saldo do CRI Real Park saltou de R$ 5,8 milhões para R$ 41 milhões. O valor já corresponde a 8,8% do patrimônio líquido do CACR11.

Somadas, as operações Helvetia, Alto Lindóia, Santo André, Itaparica, Savoie e Real Park elevaram o saldo devedor total para R$ 468 milhões, acima do patrimônio atual do fundo imobiliário.

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Jerffeson Brandão é fundador do N1 Mais e proprietário da N1 Mídia e Comunicação. Jornalista e radialista, possui experiência em comunicação, produção de conteúdo e jornalismo digital. Ao longo de sua trajetória profissional, trabalhou na Rede Internacional de Televisão e no Portal Informe Brasil.
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