O Ibovespa iniciou a sexta-feira, 24 de julho de 2026, com uma queda de 0,86%, atingindo 175.200 pontos. A desvalorização reflete a pressão de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, além da escalada de tensões no Oriente Médio e a volatilidade nos preços do petróleo. Na quinta-feira, 23 de julho, o índice já havia registrado queda de 0,31%, fechando em 177.001 pontos, enquanto na quarta-feira, 22 de julho, houve alta de 0,86%, a 174.821 pontos, impulsionada pela disparada do petróleo.
Cenário externo pressiona mercados globais
Os mercados internacionais operam sob pressão devido à escalada de conflitos no Oriente Médio. Ataques dos Houthis a petroleiros sauditas e o temor de um novo ponto de estrangulamento no Mar Vermelho contribuem para a incerteza. Os Estados Unidos completaram a 13ª noite seguida de ataques ao Irã, com o presidente Donald Trump prometendo uma “grande punição militar” ao país e a seus aliados Houthis.
Os preços do petróleo Brent recuaram mais de 2%, após romper a marca dos US$ 100 pela primeira vez em dois meses, embora o ativo caminhe para ganhos semanais. Na Ásia, as bolsas encerraram a semana no negativo, influenciadas pela forte venda de ações de tecnologia na Coreia do Sul e no Japão, em meio a temores de uma bolha nos investimentos em inteligência artificial e preocupações com o impacto da alta do petróleo sobre a inflação.
Novas tarifas dos EUA impactam comércio brasileiro
No cenário doméstico, o principal fator de atenção é a nova tarifa de 10% a 12,5% imposta pelos Estados Unidos a 60 parceiros comerciais, com base em alegações de fiscalização frouxa contra o trabalho forçado. Esta medida, distinta e adicional à sobretaxa de 25% já em vigor desde a quarta-feira, 22 de julho, começou a valer nesta sexta-feira.
O Brasil foi enquadrado na alíquota de 12,5%, e o governo classificou a decisão como arbitrária e injustificada. O ministro Márcio Rosa afirmou que cerca de 2 mil produtos brasileiros, como carnes, café e suco de laranja, ficam de fora de ambas as tarifas. No entanto, calçados, máquinas, peças e químicos não farmacêuticos somam agora 37,5% de taxação, enquanto celulose e pescados ficam sujeitos apenas à nova alíquota.
Destaques corporativos movimentam o pregão
No radar corporativo, a Eneva (ENEV3) recebeu R$ 340 milhões da Vale (VALE3) pelo encerramento do contrato de fornecimento de GNL do Complexo Parnaíba. A decisão estratégica da mineradora de suspender as atividades da planta permite que a Eneva volte a comercializar até 250 mil m³ por dia de capacidade de liquefação. As ações da Eneva registraram queda de 1,05%, e as da Vale, 0,62%.
A ISA Energia (ISAE3) captou R$ 1,198 bilhão com uma oferta subsequente de 44,44 milhões de ações, vendidas a R$ 27 cada. Os recursos serão destinados ao pagamento à Axia Energia, referente à aquisição de participação na Interligação Elétrica do Madeira e à venda de participação na Interligação Elétrica Garanhuns. O papel da ISA Energia registrou queda de 4,39% no pregão.
A CSN (CSNA3) pode se desfazer de ativos de cimento. Segundo o colunista Lauro Jardim, do O Globo, a italiana Cementir avalia a compra de ativos da CSN Cimentos, o que marcaria a entrada da companhia no mercado brasileiro, atuando em parceria com a Votorantim Cimentos. A ação da CSN registrou queda de 0,19%.
Este conteúdo tem caráter jornalístico e informativo, não constituindo recomendação de investimento. A rentabilidade passada não garante resultados futuros, e o leitor deve analisar seus próprios riscos antes de tomar qualquer decisão financeira.
A nova tarifa de 10% a 12,5% imposta pelos Estados Unidos a 60 parceiros comerciais entrou em vigor nesta sexta-feira, 24 de julho de 2026.