O governo brasileiro anunciou que recorrerá à Lei da Reciprocidade Econômica e ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). Esta decisão surge após os Estados Unidos formalizarem uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A medida foi implementada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que justificou a ação alegando falhas do Brasil no combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado em sua cadeia de importações.
A nova sobretaxa intensifica a pressão sobre as exportações brasileiras, marcando um período de crescente tensão comercial entre as duas nações. Ela se soma a uma tarifa anterior de 25%, imposta no contexto de outra investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, que abordou questões como comércio digital, propriedade intelectual e acesso ao mercado.
Justificativa americana e exclusão brasileira
Conforme o USTR, a tarifa de 12,5% integra uma iniciativa mais ampla, aplicada a 60 economias investigadas por supostamente não possuírem mecanismos eficazes para impedir a importação de bens resultantes de trabalho forçado. Diferentemente de outros países que conseguiram negociar regimes específicos ou obtiveram isenções, o Brasil foi excluído da lista de exceções divulgada pelo governo americano.
Reação do governo brasileiro e impactos esperados
Em resposta oficial, o governo brasileiro classificou a medida como incompatível com as normas do comércio internacional. As autoridades brasileiras informaram que, além de acionar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade, levarão o caso à OMC. A estratégia visa contestar a legalidade da decisão e proteger a competitividade das exportações nacionais frente ao aumento das barreiras comerciais.
A imposição desta nova taxação aprofunda um cenário de deterioração nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Especialistas do setor avaliam que a combinação das tarifas pode impactar negativamente a competitividade de diversos setores exportadores brasileiros, impulsionando a busca por novos mercados e aumentando a incerteza para empresas fortemente dependentes do mercado americano.