Brasília se destacou como a cidade brasileira onde a inflação registrou o maior avanço em junho, conforme os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A capital federal apresentou uma elevação de 0,52% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial que mede a inflação no país. Esse percentual superou significativamente a média nacional, que ficou em 0,16% no mesmo período.
Com esse resultado, a inflação acumulada em Brasília atingiu 3,05% em 2026 e 4,52% nos últimos 12 meses. O levantamento do IBGE aponta que os gastos com transporte, saúde e habitação exerceram forte pressão sobre o orçamento dos moradores da cidade.
O peso do transporte no orçamento brasiliense
Entre os diversos grupos de despesas analisados pelo IBGE, os custos relacionados ao transporte foram os que mais contribuíram para a alta da inflação em Brasília.
O aumento foi impulsionado, principalmente, pela expressiva elevação de 11,05% nas passagens aéreas. Além disso, o preço da gasolina também avançou 1,74%, impactando diretamente os motoristas.
Serviços essenciais para quem possui automóvel também ficaram mais caros. O conserto de veículos, por exemplo, registrou um aumento de 2,61% em junho, elevando ainda mais as despesas diárias.
No contexto nacional, o grupo Transportes mostrou uma alta de 0,17%, revertendo a queda observada no mês anterior.
Saúde e moradia também impulsionam custos na capital
Os gastos com saúde e cuidados pessoais representaram outro fator relevante para a escalada inflacionária na capital federal. Procedimentos odontológicos ficaram 2,85% mais caros, enquanto os planos de saúde tiveram um reajuste de 0,36%.
Produtos de higiene e perfumaria também registraram aumentos significativos durante o período analisado. Essas elevações afetam itens de uso contínuo pelas famílias.
O setor de habitação, por sua vez, avançou 0,27% em Brasília. Em todo o país, este grupo foi o principal responsável por exercer pressão sobre o IPCA de junho, com uma alta de 0,63%, influenciada principalmente pelos custos de moradia.
As despesas com vestuário também pesaram no bolso dos consumidores brasilienses. Itens como vestidos, camisas masculinas e joias estiveram entre os que apresentaram os maiores aumentos ao longo do mês.
Alimentos com variação de preços: o que subiu e o que baixou
Apesar do cenário de alta inflacionária em Brasília, alguns produtos alimentícios registraram uma queda em seus preços, aliviando parte da pressão sobre o orçamento familiar.
O tomate, por exemplo, ficou 7,43% mais barato. Cortes de carne, como a alcatra, tiveram uma redução de 4,06%, e o arroz apresentou um recuo de 3,86%.
Contudo, nem todos os itens da cesta básica seguiram essa tendência de baixa. O feijão carioca subiu expressivos 12,79% em junho, e o preço do melão avançou 11,83%.
Comer fora de casa também ficou mais caro, com um aumento de 0,61% no valor das refeições. Essa variação nos alimentos mostra um cenário misto para os consumidores.
No panorama nacional, o grupo Alimentação e bebidas registrou uma queda de 0,24%, sendo o principal fator a conter o avanço do IPCA no mês.
Entenda o IPCA: o indicador oficial da inflação no Brasil
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é calculado pelo IBGE desde 1980. Ele monitora a variação dos preços de produtos e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos.
A pesquisa do IPCA abrange dez regiões metropolitanas brasileiras, além dos municípios de Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.
Este indicador é fundamental para o Banco Central, que o utiliza para acompanhar a inflação e orientar suas decisões sobre a taxa básica de juros do país, a Selic.
Em junho, a inflação acumulada em todo o Brasil alcançou 3,36% no ano e 4,64% nos últimos 12 meses. Esse índice nacional permanece acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, sinalizando desafios contínuos para a estabilidade econômica.
Acompanhar de perto esses números é crucial para entender o poder de compra e as tendências econômicas que afetam diretamente a vida dos cidadãos.
