A Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) reuniu líderes da indústria, representantes governamentais e instituições de financiamento na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quinta-feira (23). O encontro teve como foco central o papel estratégico da inovação para o desenvolvimento econômico do Brasil. Entre os temas discutidos, estiveram os impactos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), as diretrizes da nova Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) 2024-2034 e propostas para aprimorar a governança dos fundos públicos dedicados ao avanço tecnológico.
Inovação como motor de bem-estar social
O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressaltou a função da MEI como elo essencial entre o setor empresarial e o Estado. Ele enfatizou que a inovação deve ocupar uma posição estratégica na agenda econômica do país, especialmente diante dos desafios impostos pela rápida transformação tecnológica e pela crescente concorrência global. Alban afirmou que empresas inovadoras, com o devido apoio público, não só demonstram maior resiliência em períodos de crise, mas também são as que garantem empregos qualificados e salários dignos para a população brasileira.
Estratégia nacional para ciência e tecnologia
Durante a reunião, Luis Fernandes, secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresentou os pilares da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação para a próxima década. A iniciativa busca ampliar a contribuição da ciência para o desenvolvimento econômico e diminuir a dependência tecnológica brasileira em áreas consideradas cruciais. Um dos objetivos é elevar os investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para 2% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2034. Fernandes destacou que setores como tecnologias digitais, fármacos e minerais críticos serão prioritários, sublinhando que a soberania é fundamental para a sustentabilidade econômica, social e ambiental do país.
BNDES e o apoio à modernização industrial
José Luís Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), salientou a importância de facilitar o acesso a recursos competitivos para projetos de inovação e modernização industrial. Ele explicou que a atuação do BNDES está concentrada em desafios como a digitalização, a resiliência econômica e a transição ecológica. Gordon também mencionou o papel das empresas brasileiras no avanço de tecnologias sustentáveis, destacando que o setor industrial nacional detém uma parcela significativa das patentes verdes registradas globalmente. Entre os investimentos recentes, o banco aprovou R$ 5,8 bilhões para projetos de inteligência artificial e destinou R$ 18,5 bilhões ao plano Brasil Soberano III, de apoio a exportadores.
FNDCT e o fortalecimento da autonomia tecnológica
O presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luiz Antônio Elias, reforçou a relevância do FNDCT como a principal fonte de financiamento público para ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Segundo ele, a recomposição dos recursos do fundo permite um apoio ampliado a projetos estruturantes que visam a autonomia tecnológica brasileira. A expectativa é que as contratações via crédito da Finep atinjam R$ 20 bilhões em 2026, contemplando mais de três mil novos projetos.
Entre as medidas consideradas importantes para o fundo estão a proibição do contingenciamento de recursos e a autorização para utilização de superávits financeiros em operações de crédito. O propósito é fomentar projetos que reforcem a soberania e a autonomia tecnológicas do Brasil.
A inovação é um elemento essencial da estratégia industrial brasileira. Em um cenário global de avanços tecnológicos acelerados, a capacidade de gerar conhecimento, transformar pesquisa em produtos e fortalecer cadeias produtivas é um dos principais caminhos para ampliar a competitividade e a independência econômica do País.
O objetivo é que as contratações via crédito da Finep atinjam R$ 20 bilhões em 2026, apoiando mais de três mil novos projetos.