O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, registrou uma semana de leve valorização, impulsionado por blue chips e em meio a um cenário de tensões comerciais e geopolíticas. O índice fechou com alta de 0,19%, alcançando 174.041,95 pontos na última sessão. Paralelamente, o dólar à vista encerrou a semana em R$ 5,0809, apresentando uma desvalorização de 0,59%.
Impacto das tarifas dos Estados Unidos no Brasil
As atenções no mercado doméstico se voltaram para o “tarifaço” imposto pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil. Na quarta-feira, 22 de julho, uma alíquota de 25% sobre produtos brasileiros entrou em vigor. Dois dias depois, em 24 de julho, uma sobretaxa adicional de 12,5% foi anunciada, elevando a cobrança total para 37,5%.
Setores cruciais para a balança comercial brasileira, como petróleo e gás, componentes aeronáuticos, celulose, carne bovina, café e suco de laranja, foram temporariamente excluídos dessas tarifas. Cerca de 147 itens foram poupados da nova sobretaxa de 12,5%. Cálculos da Global Trade Alert indicam que o Brasil se tornou o segundo país com a maior tarifa efetiva média entre os parceiros comerciais dos EUA, com 17,7%, atrás apenas da China, que registra 27,2%. Para mitigar os efeitos, o governo federal liberou R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas afetadas, sendo R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conforme informações do Palácio do Planalto. Especialistas avaliam que os impactos na bolsa brasileira foram limitados, pois o movimento já estava precificado.
Cenário geopolítico e o preço do petróleo
As tensões no Oriente Médio, com ataques entre Estados Unidos e Irã, persistiram, mesmo com os esforços do Paquistão, apoiado pela China, para retomar as negociações de cessar-fogo. Diante da incerteza sobre a paz na região, o contrato mais líquido do petróleo Brent, referência internacional, para setembro, avançou 9,58% na semana, fechando a última sessão a US$ 96,78 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. Durante a semana, o barril do Brent chegou a superar US$ 101 pela primeira vez desde maio.
Destaques positivos no Ibovespa
As ações da CSN Mineração (CMIN3) e da CSN (CSNA3) lideraram os ganhos no Ibovespa, impulsionadas pela expectativa de venda da divisão de cimentos da CSN. A coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, mencionou a italiana Cementir como possível candidata à aquisição dos ativos da CSN Cimentos. O banco Safra estima o valor do negócio de cimento em mais de R$ 10 bilhões, um montante significativo considerando os cerca de R$ 22 bilhões em vencimentos de dívida da CSN concentrados entre 2026 e 2028. A avaliação do banco é que uma monetização parcial do ativo poderia aliviar as preocupações de liquidez da empresa e melhorar as condições de refinanciamento da dívida.
Outro destaque foi a Vale (VALE3), que acumulou alta superior a 3%. A valorização ocorreu em resposta à prévia operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26), à eleição do novo presidente do conselho de administração e à destituição de Marcelo Gasparino da Silva do cargo de conselheiro por vazamento de informações confidenciais. O relatório de produção da mineradora confirmou a recuperação operacional esperada para o período, com avanço na produção e vendas de seus principais segmentos, especialmente o minério de ferro, que atingiu seu melhor desempenho para um segundo trimestre desde 2018.
As maiores altas do Ibovespa entre 20 e 24 de julho
Confira as ações que mais se valorizaram na semana, segundo dados da B3:
- CSN Mineração ON (CMIN3): 6,75%
- CSN ON (CSNA3): 6,14%
- Brava Energia ON (BRAV3): 5,47%
- Weg ON (WEGE3): 5,41%
- Petrobras ON (PETR3): 3,80%
- Petrobras PN (PETR4): 3,20%
- Vale ON (VALE3): 3,15%
- Usiminas PNA (USIM5): 3,04%
- PetroReconcavo ON (RECV3): 2,92%
- Ultrapar ON (UGPA3): 2,00%
Destaques negativos no Ibovespa
Na ponta negativa, a Hapvida (HAPV3) liderou as quedas do Ibovespa, registrando uma desvalorização significativa. A queda é atribuída à realização de lucros após os ganhos da semana anterior e à pressão da abertura da curva de juros, que afeta empresas alavancadas como a operadora de saúde. Investidores permanecem atentos aos altos níveis de sinistralidade da companhia, aguardando o balanço do segundo trimestre, que será divulgado na próxima quarta-feira, 29 de julho.
As maiores quedas da semana
Veja as ações que mais recuaram no período, conforme dados da B3:
- Hapvida ON (HAPV3): -12,83%
- Azzas 2154 (AZZA3): -10,44%
- Yduqs ON (YDUQ3): -9,64%
- Assaí ON (ASAI3): -7,65%
- Cogna ON (COGN3): -6,73%
- Rede D’Or ON (RDOR3): -6,71%
- Totvs ON (TOTS3): -5,89%
- Isa Cteep ON (ISAE4): -5,53%
- Magazine Luiza ON (MGLU3): -5,49%
- Minerva ON (BEEF3): -5,00%
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