O mercado financeiro brasileiro sentiu o impacto direto da escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Nesta segunda-feira, 13 de maio, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), encerrou o pregão com uma queda significativa.
O índice recuou 1,20%, fechando aos 175.739,08 pontos. Essa movimentação representa uma devolução de parte dos ganhos recentes, à medida que investidores passaram a reavaliar o cenário econômico global.
A principal preocupação é a possibilidade de uma inflação mais persistente e a manutenção de juros elevados por um período mais longo, tanto no Brasil quanto internacionalmente.
O recuo do Ibovespa em meio à crise geopolítica
A disparada nos preços do petróleo foi um dos fatores mais marcantes do dia. O barril do tipo Brent registrou um avanço de quase 10%, impulsionado por novas ameaças envolvendo o estratégico Estreito de Ormuz.
Esse aumento beneficiou as ações da Petrobras (PETR3; PETR4), que conseguiram sustentar parte do índice e evitar uma queda ainda mais acentuada do Ibovespa.
Em contrapartida, papéis de empresas ligadas ao ciclo doméstico, grandes bancos e a mineradora Vale (VALE3) exerceram forte pressão negativa sobre o desempenho geral da Bolsa.
Impacto no câmbio: dólar em alta e aversão ao risco
A cotação do dólar comercial também refletiu o clima de aversão ao risco global. A moeda norte-americana fechou em alta de 0,81%, sendo negociada a R$ 5,15.
Esse movimento foi impulsionado pela busca dos investidores por ativos considerados mais seguros, além do fortalecimento do dólar no cenário internacional e a própria disparada do petróleo.
Segundo a analista Rebecca Nossig, da Nomad, a intensificação das tensões no Estreito de Ormuz eleva o temor de uma nova onda inflacionária global. Esse cenário tende a fortalecer o dólar e, consequentemente, pressionar as moedas de países emergentes, como o real brasileiro.
Ações em destaque: ganhos do petróleo e perdas do ciclo doméstico
Entre as maiores altas do dia, destacaram-se as empresas do setor de óleo e gás, diretamente beneficiadas pela valorização do petróleo. As ações da Petrobras (PETR3) avançaram 3,44%, enquanto as da Petrobras (PETR4) subiram 2,55%.
Outras companhias do setor, como Prio (PRIO3) e PetroReconcavo (RECV3), também registraram ganhos expressivos ao longo da sessão.
No lado das maiores baixas, a queda no preço do minério de ferro impactou negativamente a Vale (VALE3), que recuou 1,79%.
No setor bancário, o Itaú Unibanco (ITUB4) registrou queda de 1,76%, e o Bradesco (BBDC4) perdeu 0,48%. Empresas mais sensíveis às taxas de juros, como as construtoras, também figuraram entre os papéis com pior desempenho.
Desdobramentos no Oriente Médio e projeções para o mercado
O pano de fundo para essa movimentação do mercado foi uma nova escalada nas tensões entre os Estados Unidos e o Irã. Pela manhã, o presidente Donald Trump havia declarado a intenção dos EUA de assumir o controle do Estreito de Ormuz e cobrar taxas pela navegação na região.
No período da tarde, Washington anunciou o bloqueio de portos e áreas costeiras iranianas, enquanto Teerã prometeu uma resposta às medidas. Relatos de novos ataques entre Iêmen e Arábia Saudita contribuíram para ampliar ainda mais o clima de aversão ao risco global.
A interpretação predominante entre os investidores é que um eventual fechamento do Estreito de Ormuz poderia gerar uma pressão ainda maior sobre os preços do petróleo. Isso reacenderia as preocupações com a inflação e limitaria o espaço para cortes de juros, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.
Além do cenário externo, o mercado começa a direcionar sua atenção para a temporada de resultados do segundo trimestre, que ganhará força nas próximas semanas. Essa divulgação deve trazer novos direcionadores e análises para as ações negociadas na Bolsa brasileira. Para mais informações sobre o mercado financeiro, consulte fontes confiáveis como o Valor Econômico.
Para contextualizar, o Ibovespa havia fechado o pregão anterior, na sexta-feira (10), em 177.866,37 pontos, com uma alta de 2,97%, mostrando a volatilidade atual do mercado.