O setor de serviços no Brasil apresentou um desempenho abaixo do esperado em maio, registrando um recuo de 0,4%. Este resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da Pesquisa Mensal de Serviços, foi fortemente influenciado pela desaceleração nas atividades de transporte, um segmento crucial para a economia nacional.
A queda surpreendeu o mercado, que projetava um cenário mais estável, com expectativas variando entre -0,3% e 0,6%, e uma mediana de 0,0%. A Secretaria da Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda confirmou que o dado ficou aquém das previsões, acendendo um alerta sobre a recuperação econômica do país.
Desaceleração geral e o peso dos transportes
Apesar do recuo mensal, a comparação com maio do ano anterior revelou um crescimento modesto de 0,4%. No acumulado de janeiro a maio, o setor de serviços avançou 1,9% em relação ao mesmo período de 2025, indicando uma trajetória de expansão, ainda que com oscilações.
No entanto, o ritmo de crescimento anual tem diminuído. A alta acumulada nos últimos 12 meses foi de 2,6%, uma redução em comparação com os 2,9% registrados em abril. Este dado sugere uma perda de fôlego que merece atenção dos formuladores de políticas econômicas e dos agentes de mercado.
O setor de serviços, que engloba uma vasta gama de atividades como turismo, restaurantes, salões de beleza, internet e tecnologia da informação, permanece 19,6% acima do nível pré-pandemia de fevereiro de 2020. Contudo, ele se encontra 0,5% abaixo do pico histórico alcançado em outubro de 2025, conforme os dados da pesquisa, que monitora o desempenho desde janeiro de 2011.
O impacto do freio nos transportes
A análise detalhada do IBGE aponta que, dos cinco grandes grupos de atividades investigados, dois registraram queda na passagem de abril para maio. O principal vetor negativo foi o segmento de Transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que recuou 1%.
Este grupo tem um peso significativo na pesquisa, representando cerca de um terço (33,67%) do total do setor de serviços. A sua performance negativa foi, portanto, determinante para o resultado geral.
O analista da pesquisa, Rodrigo Lobo, explicou que a queda se deveu, em grande parte, à menor receita observada em empresas de transporte aéreo de passageiros, transporte rodoviário de carga e logística. O volume de transporte de passageiros diminuiu 1,3% em maio na comparação mensal, enquanto o volume de transporte de cargas registrou uma variação negativa de 0,2%.
Cenário das atividades turísticas e outros serviços
Além dos transportes, o grupo de Outros serviços também apresentou queda, com um recuo de 1,9%. Em contrapartida, os Serviços profissionais, administrativos e complementares mostraram um crescimento robusto de 2%.
Os Serviços prestados às famílias tiveram um aumento de 0,2%, atingindo o maior patamar desde dezembro de 2014. Rodrigo Lobo atribuiu esse bom desempenho a variáveis econômicas favoráveis, como o baixo desemprego, a massa de rendimentos elevada e o nível de preços sob controle, o que impulsiona o consumo.
O Índice de Atividades Turísticas (Iatur), um componente específico da Pesquisa Mensal de Serviços, também registrou uma retração de 0,4% em maio, em relação ao mês anterior. Apesar disso, o Iatur acumula uma expansão de 1,7% nos últimos 12 meses.
As atividades turísticas permanecem 10,8% acima do patamar pré-pandemia, mas ainda estão 2,5% abaixo do seu nível máximo, registrado em dezembro de 2024. O Iatur abrange 22 das 166 atividades de serviços ligadas ao turismo, incluindo hotéis, agências de viagens, bufês e o transporte aéreo de passageiros, com dados disponíveis para 17 unidades da federação.
Perspectivas para a economia
A queda no setor de serviços, especialmente puxada pelos transportes, indica que a recuperação econômica ainda enfrenta desafios e não é linear. Embora alguns segmentos, como os serviços às famílias, demonstrem resiliência, a desaceleração em áreas-chave como logística e transporte pode ter implicações mais amplas para a cadeia produtiva e o comércio.
Acompanhar de perto esses indicadores é fundamental para entender a dinâmica do mercado de trabalho e o poder de compra da população, elementos cruciais para a saúde financeira dos cidadãos e a estabilidade econômica do país.
